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Trabalho e saúde: não há saúde sem igualdade de gênero

Jornada exaustiva e acúmulo de funções afetam a saúde das mulheres

Para nos falar um pouco do assunto convidamos Raquel Sabrina, que é jornalista e consultora de sustentabilidade e direitos humanos pela Società.

A divisão entre o trabalho e a vida pessoal e familiar está intrinsecamente relacionada ao conceito de trabalho decente. O desequilíbrio na divisão de tarefas afeta particularmente as mulheres, que sofrem ainda com a insegurança e instabilidade no trabalho. A conclusão é da OIT, Organização Internacional do Trabalho, que afirma que a questão de gênero afeta diretamente a restrição das oportunidades de trabalho e a qualidade de vida das mulheres.

As conclusões constam no mais recente relatório global Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017. Segundo a organização internacional, a pressão profissional acumulada à responsabilidade na educação dos filhos e as tarefas domésticas gera desgaste físico e emocional que nem sempre é fácil de gerenciar. O resultado não poderia ser diferente: elas são mais propensas a desenvolver depressão, ansiedade e estresse que os homens.

É assim no mundo todo. Independente do nível de desenvolvimento dos países, em quase todos o trabalho doméstico é predominantemente responsabilidade das mulheres. No Brasil, as mulheres realizam 27 horas de trabalho doméstico por semana, enquanto os homens apenas 10 horas. Ou seja, as mulheres fazem pelos menos 3 horas de serviços domésticos todos os dias, antes ou depois de saírem para o trabalho.

O resultado é que o acúmulo de funções e o estresse pela jornada dupla fazem a mulher ter menos tempo para cuidar da própria saúde e menos tempo para o lazer. A saúde mental, que é tão importante quanto a física, acaba sendo negligenciada. Menos tempo para si e para o lazer são importantes fatores de risco para que o estresse acabe se tornando uma depressão ou transtorno de ansiedade.

As estatísticas da ONU (Organização das Nações Unidas) confirmam essa situação. Para cada homem com depressão no mundo há duas mulheres. A organização estima que os transtornos de ansiedade atingem 30% das mulheres e 19% dos homens. Alguns distúrbios, como síndrome do pânico, fobias e estresse são de duas a três vezes mais frequentes nelas do que neles.

As atividades dedicadas aos afazeres domésticos trazem consequências ainda mais significativas para as mães. Mesmo àquelas que trabalham fora de casa tem a responsabilidade de acompanhar os filhos, além dos cuidados da casa. Mesmo quando a mulher não arregaça as mangas para, por exemplo, fazer faxina e comida, a expectativa é que ela gerencie quem ficará responsável pelas atividades. Isto significa tomar decisões o tempo todo, determinar o que será feito, pensar o que precisa ser providenciado e cobrar — o que dá muito trabalho e dor de cabeça.

Os dados do estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) confirmam essa tendência. A inserção das mulheres no mercado de trabalho não acontece acompanhada da redefinição das divisões de atividades domésticas entre homens e mulheres. Elas continuam sobrecarregadas de responsabilidades familiares e com menos tempo para dedicação profissional do que os homens.

Segundo a pesquisa “Mercado de Trabalho: conjuntura e análise”, publicada em abril deste ano, as tarefas de casa já começam diferentes para as crianças. Os meninos de 10 a 14 anos passam, em média, 2,7 horas por semana em atividades domésticas. Já as meninas passam cerca de 7,6 horas. As meninas ganham brinquedos de vassourinha, panelinha, ferro. Os meninos carros, heróis e aviões.

Soluções dependem de políticas públicas

A OIT ressalta que melhorar a participação feminina no mercado de trabalho requer políticas focadas no equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho e na eliminação da discriminação de gênero. As políticas também devem abordar os fatores socioeconômicos que influenciam a participação da mulher no trabalho, melhorem o equilíbrio entre trabalho e família e considerem a economia informal.

Ou seja, além de melhorar a divisão de tarefas na família, é preciso políticas públicas de cuidados para crianças e idosos. A maior e melhor qualidade de creches, por exemplo, pode influe

nciar de forma significativa a participação da mulher no mercado. Outra solução seria a extensão de licença paternidade – para a criação de nova cultura de divisão das responsabilidades na criação dos filhos.

É preciso ainda que as empresas sejam obrigadas a oferecer salas de aleitamento nos locais de trabalho e a ampliação das políticas de saúde voltadas aos cuidados paliativos aos doentes e idosos, outra obrigação considerada das mulheres.

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